Por que é tão difícil praticar o “amor livre”?

“Amor livre é uma proposta revolucionária que questiona os modelos disponíveis de amor construídos socialmente e historicamente, possibilitando que todxs possam criar novas formas de se relacionar, visando interações não-hierárquicas e de cooperação mútua – na contramão dos valores capitalistas de possessividade e exclusividade. Não existe um formato definido de amor livre, a ideia é justamente ter liberdade para construir novas relações com diretrizes próprias, o único princípio orientador do amor livre é a busca pela solidariedade ax próximx, o que explica sua origem entre pensadorxs socialistas e libertárixs.”

free love

Assim eu começo uma breve nota que tenta resumir um pouco sobre o conceito de amor livre, essa tentativa quase utópica de construir relacionamentos na contramão do destino monogâmico: formar uma família nuclear sustentada por um contrato de casamento e uma propriedade privada.

Sabemos que o amor é algo construído socialmente, que as formas de se relacionar afetivo/sexualmente foram muito diferentes em várias organizações sociais. Do formato grego, em que o homem não podia permitir a criação do vínculo afetivo com a mulher até os moldes do amor romântico tradicional que idealiza x outrx ao nível divino. Assim, tendo a noção de que é algo passível de transformação, nós, feministas e libertárixs, buscamos orientar nossas práticas afetivas de acordo com a organização social que desejamos – não hierárquica, horizontal e livre de opressão. Ao negar o modelo monogâmico e heteronormativo que é base do capitalismo e do patriarcado, abrimos novas possibilidades que muitas vezes se traduzem em relações abertas ou poliamoristas, nas quais não existe um contrato de exclusividade das práticas sexuais e afetivas fechado entre xs parceirxs.

Essas relações de “amor livre” podem ser muito diferentes entre si, podem incluir acordos específicos, serem parcialmente centralizadas ou totalmente horizontais entre um número variável de parceirxs, mas têm em comum a proposta de abrir o diálogo e encarar os desejos de perto, mediando a dinâmica da relação de forma que todxs se sintam livres e ao mesmo tempo exista o respeito aos limites do outrx. É uma negociação bastante complicada por si só, porque exige comprometimento ético, ao contrário da ideia de desordem que o senso comum dita sobre o assunto. A ausência de contratos de exclusividade não pressupõe a ausência de um compromisso com as demandas emocionais dx parceirx, pois assim voltamos à estaca zero do egoísmo já largamente perpetuada pelo amor romântico. Fugir desses paradoxos é uma das tarefas mais difíceis na hora de desconstruir nossos velhos modelos do amor burguês, que apenas admitem polarizações como matrimônio x libertinagem, sendo que a tal “libertinagem”, nesse caso, tem muito pouco a ver com liberdade e muito mais com a completa negligência das necessidades dx parceirx em uma relação – uma forma de precarização dos vínculos humanos que também não contempla o ideal libertário da cooperação e serve mais ao modelo capitalista.

emma

Mas a lista de obstáculos para a cultura do amor livre é muito mais extensa. Nossa própria forma de organização social é fundada no modelo do casal heterossexual burguês que ocupa uma propriedade privada fixa e garante as próximas gerações através da herança. Esse conceito de família como núcleo central de toda a sociedade já é um desafio e tanto a ser enfrentado, pois somos diariamente pressionadxs com o fantasma da marginalização caso não aceitemos o modelo vigente, convencidxs de que há uma idade limite para constituir tal núcleo sólido e que, se não o fizermos a tempo, temos um amargo destino de solidão e abandono pela frente. Acabamos psicologicamente frágeis diante de tamanha estrutura que nos esmaga, que é metodicamente pensada para nos empurrar na direção das relações monogâmicas. A jornada de trabalho diária exaustiva, a fragilidade das relações humanas em geral em um contexto de extrema competitividade, a tendência liberal da individualização, tudo colabora para que a maioria das pessoas ainda se encerre no refúgio particular do casal e idealize o amor romântico como um porto seguro emocional em uma realidade caótica. Ao tentar romper com a instituição do casamento, nos deparamos com uma sociedade que não está pronta para acolher novas maneiras de se relacionar, que torna nosso tempo e espaço para desenvolver mais relações com mais qualidade muito escasso, que nos incentiva a oferecer nossa dedicação a uma única pessoa e a projetar nossas necessidades nela – ou, no outro extremo, a nos relacionar com várias pessoas de forma extremamente superficial. Para a classe trabalhadora, a pressão para a relação de casamento é ainda maior por uma questão de sobrevivência econômica. E, considerando o fenômeno das famílias monoparentais na periferia, onde os homens abandonam o núcleo em busca de liberdade e deixam toda a responsabilidade familiar para as mulheres, chegamos ao outro fator que freia nossos anseios por relações mais verdadeiras: o sexismo.

patriarcadoClaro, o grande obstáculo do patriarcado. Anterior até mesmo ao capitalismo, é um dos maiores problemas a serem enfrentados pelos entusiastxs do amor livre, porque insere o elemento do poder na dinâmica das relações de forma desigual. A hierarquia de sexo/gênero que inferioriza as mulheres e garante privilégios aos homens afeta a todxs nós e se perpetua no nosso cotidiano, como uma forma de poder difuso e difícil de se combater. Historicamente, os homens sempre foram livres para se relacionar com várias parceiras, comumente prostitutas, enquanto as mulheres eram encerradas no ambiente doméstico como propriedades, no papel de esposas reprodutoras – quando o adultério feminino surge como resistência. Dentro da família burguesa, a sexualidade da mulher é controlada de todas as formas, garantindo que cumpra seu papel enquanto esposa fiel, responsável pela criação dxs filhxs e manutenção da casa. O mito do amor romântico legitima o contrato do casamento e assegura o modelo nuclear de família, às custas da repressão sexual das mulheres.

A dita “Revolução Sexual” trouxe alguns avanços para as mulheres, como a pílula anticoncepcional e o direito – em tese – de controlar a reprodução, mas ainda nos deixou muito distantes da utopia das relações igualitárias. No trecho abaixo, de um post que fiz recentemente, explico um pouco sobre a situação atual:

“[…]a sociedade aguarda ansiosamente por qualquer oportunidade de culpabilizar uma mulher por ter exercido livremente sua sexualidade, por ter sentido tesão, ainda que se venda uma falsa ideia de “liberdade sexual” e toda a classe média esteja contaminada com o suposto empoderamento das mulheres nesse sentido. A “libertação” sexual é estimulada, até um certo ponto, até que se possa manter o controle público sobre os limites da vida sexual das mulheres.

Ok, permitimos que vocês façam o que quiserem, mas arcarão com as consequências do sexismo ainda intocável que estrutura o pensamento, herança dos tempos mais brutais em que a libido feminina era crime – o pecado original cristão. Busque o prazer, os anticoncepcionais, as mil posições do Kama Sutra, o best seller de BDSM, mas saiba que em caso de gravidez indesejada o aborto é crime e vamos puni-la, em caso de sextorsão a culpa é sua por ter se exposto, em caso de estupro seu comportamento sexual será decisivo para culpá-la e durante o seu parto você será lembrada que “não gritou na hora de fazer”. Ouse escapar às regras e faremos você se arrepender do prazer que sentiu, se encher de remorso e culpa por cada orgasmo, porque, no fundo, tesão feminino ainda é exposto como motivo de vergonha no espaço público.”

Logo, ainda sofremos com o legado do pensamento patriarcal mediando as relações entre homens e mulheres – lógica também reproduzida nas relações homoafetivas. Estigmas tão arcaicos como o da “vagabunda” em oposição ao “garanhão” ainda estão fortemente presentes, reforçando a dicotomia puta x santa que regula a sexualidade das mulheres. Ainda chovem todos os dias casos de mulheres agredidas e mortas por companheiros que as enxergavam como propriedades e ainda são classificados como “crimes passionais” ao invés de femicídios. As denúncias de violência doméstica não param de crescer, os casos de estupro e abuso sexual são um fenômeno preocupante, o assédio nas ruas é constante e violento. O quadro é grave e não nos permite avançar na construção de relações mais livres enquanto não for duramente enfrentado.

kruger2

O primeiro passo é admitir que estamos contaminadxs, que não se trata de associação voluntária ao sistema capitalista e patriarcal opressor. É a nossa realidade concreta e temos que partir dela. Temos visto muitos exemplos próximos de relações com proposta libertária que desmoronam, justamente porque os velhos papéis sexuais estão tão internalizados que vêm â tona nos momentos de fragilidade. Ciúmes, mentira, possessividade são heranças difíceis de desconstruir e teríamos praticamente que recomeçar do zero a pensar nossas relações. Especialmente para os homens, o poder e o privilégio raramente são reconhecidos e problematizados. Vale lembrar que mulheres são criadas para esperarem um príncipe encantado e se dedicarem emocionalmente enquanto homens são criados para evitar vínculos afetivos e estigmatizarem a sexualidade feminina. Logo, é muito comum nas relações supostamente livres ver homens exercendo poder através da sexualidade, manipulando mulheres com quem se relacionam simultaneamente para que fiquem umas contra as outras, traindo a confiança da parceira mesmo com a liberdade do diálogo, restringindo o acesso da parceira a outros homens, entre outras incoerências e situações abusivas. Ou seja, homens e mulheres não partem da mesma posição de poder nas relações, por uma questão estrutural, logo, caberia a eles problematizarem seu papel quando se propõem a construir uma relação de amor livre.

É importante não cair na armadilha de substituir uma idealização do amor romântico por uma idealização do amor livre enquanto a incrível solução para nossos problemas de relacionamentos. Somos capazes de fazer a crítica sobre as relações que estão dadas, mas as belas teorias que criamos sobre as novas relações estão dentro de um longo processo de transformação radical da sociedade. Enquanto nos relacionarmos nesse contexto, somos reféns de muitas limitações e não podemos deixar de ser auto-críticxs. Não vale a pena pintar o amor livre com toda a sua poesia e não reconhecê-lo como parte dessa estrutura opressora que combatemos a todo momento, como se fôssemos poderosxs o suficiente para ignorar tudo o que nos enfiaram goela abaixo desde que nascemos, diariamente. Acredito que é preciso pautar e construir o amor livre urgentemente, mas sem essa pretensão revolucionária que parece brotar de egos gigantescos que se julgam libertxs de todas as amarras – aquelas mesmas que lhes garantem, muitas vezes, uma posição privilegiada – e ainda criam novos formatos dominantes. Qualquer proposta de relação, no nosso contexto atual, é incerta e vulnerável a uma série de problemas, ainda que estejamos lutando contra um modelo que concentra toda a opressão e o aprisionamento.

kruger

Somos parte da merda toda, basicamente. Não é uma relação aberta aos trancos e barrancos ou um poliamorismo de 10 pessoas onde alguém se sente desconfortável que vão destruir os paradigmas heteronormativos, patriarcais e capitalistas que mediam nossos relacionamentos. É preciso pensar coletivamente a raiz dessas relações e como combater efetivamente os antigos modelos que nos assombram e nos atingem em cheio na primeira brecha, evitando o fetichismo sobre os formatos novos propostos. Porque, apesar de todas essas questões e desafios, o que não dá é para engolir ou reformar a velha tradição monogâmica burguesa e continuar dependente de escolhas tão precárias toda vez que há interesse em uma relação afetivo/sexual. Precisamos realmente do tal do amor livre, mas ele precisa ser livre para todxs, na prática.

Advertisements

111 comments

  1. Carlos

    Acho curioso como s’ao tratadas as cone’oes entre capitalismo, propriedade privada e a monogamia, durante o texto fica-se imaginando se havia casamento na URSS…

  2. Ca

    Anos e anos de lavagem cerebral…Está enraizado demais na nossa cultura. Talvez nas próximas gerações e com muito estudo, dialogo e ensinamentos corretos. E sinceramente não creio que alguém, com algumas exceções, consiga se libertar a esse ponto na atual conjuntura da nossa sociedade.

  3. Kali

    Muito bom seu texto. Eu tenho estudado bastante sobre relacionamentos livres, e recentemente encontrei um pessoal de porto alegre que tem conseguido romper – com sucesso – as relações monogâmicas, e a desvinculação entre amor e posse. Eles tem vários textos interessantes publicados nesse site: http://rederelacoeslivres.wordpress.com/
    Recomendo esse site à todos aqueles que acreditam que é possível o amor livre e sem posse!!

  4. Augusto

    Parei de ler quando começou a clichezada de pequeno burguês, mundo capitalista etc etc etc….ou seja, na terceira ou quarta linha. Associar uma função psíquica básica ligada ao instinto de procriação com o reducionismo simplista do Titio Sabe-tudo Marx e o fim dos tempos.

  5. Pablo

    Eu acho que o amor não é uma construção social, é uma mistura quimica e de sentimentos. Que além do sexo, tem acrescenta a questão de amizade, afinidade, respeito e cumplicidade. E o amor seja mono ou poligamico depende das duas (ou mais) pessoas para se tornar amor de verdade ou apenas uma relação heteronormativa com base patriarcal machista. Acho que sempre vai depender das pessoas envolvidas e suas atitutes entre si, porque muitas relações poligamicas tambem são machistas e patriarcais.
    Eu acho que “amor livre” é um novo nome que deram pro “amor” que foi tão estragado e corrompido pelo machismo, consumismo e pelo patriarcado, porque acabaram com a importância do sentimento individual, o respeito de igualdade, delimitando as pessoas como propriedade.
    Pra mim romantismo tem a ver com poesia, conversas, e demonstracao de carinho e sentimento apenas, e não essa ideologia d@ parceir@ ideal e perfeit@ que a igreja e o Estado nos deram… e pensar no amor livre consequentemente faz a gente pensar e criticar a sociedade capitalista, patriarcal e heteronormativa.
    Pra mim acho que existe o prazer fisico e o prazer da alma, quando os dois estão juntos é amor, pois ele é sinonimo de liberdade. Por isso acho que não deve haver nenhum limite ou preconceito para nenhuma forma de amor ou de amar. E nem regras para dizer que o amor monogamico, relacionamento aberto ou poligamico são unicamente corretaos…
    Eu, como individuo não me vejo tendo relação amorosa ou sexual com várias pessoas ao mesmo tempo. Nem por isso acho que sou dono de alguém, ou que a pessoa a quem estou me relacionando me deve amor eterno. Meu amor é exclusivo a uma pessoa, livre de possessividade, machismo e patriarcado, mas simplesmente porque eu não consigo me apaixonar por duas pessoas, ao contrário de varias pessoas que conseguem e são assim, se conseguisse não via mal algum, sem duvida.
    Se houver um padrão, são regras, formalidades, propriedades e só servem pra aumentar o orgulho, o egoismo, o individualismo e o ego das pessoas.
    Vendo tantas definições diferentes de amor livre acho que sou adepto da “liberdade de amar”. Independente de poligamia, monogamia, hetero, homo ou bissexualidade, idade ou identidade de genero, desde que seja livre de conceitos machistas, patriarcais, heteronormativos e preconceituosos. Desde que seja e possa ser livre na sua forma de demonstrar sentir e ser. Desde que haja sentimento, atração fisica, cumplicidade, igualdade, amizade e acima de tudo respeito, é amor… Esse eu tô dentro

  6. Marcelo Tabajara

    Li o texto sobre o amor livre. Embora possa concordar com algumas coisas, não deixa de ser doutrinação marxista. Por que? Tu pode perguntar isso, já que nem se fala em marxismo no texto?

    O fato é que embora o capitalismo seja o grande culpado segundo o texto, não há evidência alguma de que isso seja verdade, e obviamente o texto também não se dá ao trabalho de tecer ou explicar esse processo histórico.

    Acho válida a discussão sobre o comportamento sexual, mas o tempo todo o texto enfatiza que o núcleo opressor é a dualidade capitalismo/patriarcalismo, como se esses conceitos fossem os eixos que guiam nossos costumes e organização social. Acredito que estes tem muito mais a ver com predisposições naturais, instintivos e psicológicos, associados a valores religiosos e morais, sendo que tanto um quanto o outro são muito anteriores ao capitalismo, que na verdade é apenas um sistema econômico, não se trata de um sistema social, religioso ou moral. Os hippies não precisaram se dizer comunistas para propagar o amor livre. A revolução sexual foi muito mais uma questão biológica, modificada pela realidade da pílula, do que uma revolução política. Da mesma forma, o patriarcalismo também não é um fator decisivo para a questão monogâmica. Temos o judaísmo, cuja estrutura familiar é matriarcal, e embora isso seja um fator que gera maior respeito e valor às mulheres, não vai contra a monogamia.

    Por isso eu vejo nesse texto um contexto muito mais doutrinário do que legitimamente social. Parte da doutrinação marxista é o combate sistemático ao capitalismo, atribuindo a ele a culpa e a origem de todos os males do mundo, não importando qual seja o contexto histórico. Ou seja, vale para isso reescrever a história, distorcer os processos evolutivos das sociedades, ignorar fatos etc. Isso ocorre pois o marxismo é uma ideologia que quer substituir tudo, e que “enxerga” tudo como se estivesse errado, e sendo ideologia (praticamente com status de religião), atribui ao capitalismo o mesmo status, para assim se afirmar como o substituto viável e legítimo.

    A grande verdade é que essa forma de pensar problematiza tudo, transforma toda a realidade em um grande mal, vê a todos como inimigos. O trabalho não é mais visto como algo que engandece o homem, não é visto como um processo de troca, não é visto como algo que psicologicamente nos é necessário, é visto apenas como uma imposição, como exploração, numa clara tentativa de associar toda nossa cultura a algo opressor, que nos torna infelizes, quando na verdade a felicidade tem muito mais a ver com o estado de espírito do que com qualquer outra coisa. Os mesmos fatos podem ser vistos das mais diversas formas, dependendo do olhar da pessoa, e da perspectiva que ela coloca nessa realidade.

    Por que construir essa infelicidade e insatisfação? Para insuflar revolta no coração das pessoas, inflamar as massas, e criar no coração das pessoas um novo tipo de paixão romântica que alivie sua miséria, não por pessoas que preencham seus sonhos, mas pelo “novo” sistema, a santa foice e martelo que deve ser vista como aquilo que os tirará da opressão.

  7. Arthur Moura

    O amor só é possível a partir de trocas coletivas/coletivizadas. A construção afetiva é processual e em nossa sociedade ocidental quase que 100% das vezes nasce da relação entre duas pessoas. A partir daí abrem-se ou não possibilidades de inserção de novos afetos. A chegada de um novo amor pode integrar ou não a composição nuclear entre duas pessoas. Mesmo esse novo amor não integrando esse núcleo, ele pode coexistir numa relação paralela a partir dos acordos éticos estabelecidos numa determinada relação pessoal. Na maioria das vezes espera-se que este outro afeto componha numa relação livre os critérios que tornam possíveis a emancipação coletiva. Dentro desse quadro, são complexas as formas de se relacionar.
    O desafio de abrir-se para novas relações é um desafio de investigação profunda acerca não só dos nossos desejos mais subalternos, mas é também um desafio para o desenvolvimento de novas potencialidades e de conhecimento interpessoal. Cabe também dentro desse espectro o desenvolvimento do nosso próprio ordenamento assim como nossos limites. Para o desenvolvimento de um relacionamento livre importam principalmente dois pontos:

    a) o processo de troca e descoberta conjunta e complementar das potências, subjetividades, afim de construir planos duradouros

    b) acordos que constroem o lidar com os campos em aberto do nosso parceiro (aqui falamos principalmente das vontades sexuais e afetivas)

    Não tem como tratarmos todas as intempéries desses processos utilizando somente os conteúdos acumulados das ciências humanas, pois as nossas experiências pessoais extrapolam até mesmo as categorizações criadas para melhor entender tais processos. Soma-se a isso a necessidade constante de pensarmos o amor de forma mais profunda que os paradigmas rivais, que o pensam como formas de controle.
    Explorando um pouco mais os dois pontos acima, entendemos que em “a” existe todo o processo que vai sustentar de fato um relacionamento aberto, pois é a partir da investigação contínua através do processo de abertura dos nossos ideais que encontramos conforto e segurança em nosso parceiro. A construção de planos abre a possibilidade para críticas e autocríticas no decorrer da história de cada um afim de que os dois consigam atingir os objetivos pensados e refletidos previamente, dando à elaboração do plano um caráter dialético. As dificuldades encontradas se tornarão não mais em empecilhos, mas formas de se resolver questões já debatidas previamente. É nesse processo também que o conhecimento de um e do outro se torna estimulado e tido como ponto fundamental do amadurecimento. Adentra-se então em campos totalmente desconhecidos, evitados ou desestimulados. Neste campo não existe conhecimento seguro sobre aquilo que se experimenta e descobre e muitas vezes o processo é demorado pela constante sensação de dor. As dores geralmente já vêm com as nossas construções sociais, impregnando-se em nossas propriedades psíquicas, tornando-se, portanto, fator componente das relações. O lidar com a dor, no entanto, torna-se uma forma de examinar até mesmo suas potencialidades a partir de uma construção dialética a dois. Isso pode permitir ou não o agregamento de outras sensações.
    A partir daí, em “b” já existe um entendimento comum dos descaminhos amorosos ou pelo menos um preparo no lidar com o devir dos corações e das afetividades descontroladas. Sendo assim, neste caso, cabe ao par decidir a inclusão ou não de mais uma pessoa; pensar em conjunto os impactos causados por esta interferência; pensar se vale a pena ou não anunciar a presença desse novo afeto; enfim, de uma forma geral, de que forma está se dando o relacionar (mesmo que essa reflexão num primeiro momento caiba apenas a uma das partes, pois este, por exemplo, pode pensar no fator relevância/dor.
    É importante pensar que todo esse processo, tanto em “a” como em “b”, não se dá de forma harmônica, mas pensar o caráter da liberdade que se constrói nos coloca numa posição de disputa por conceitos e confronto de valores para assim se construir o que se entende por ética não só no se relacionar a dois, mas no campo social como um todo. Dessa forma o amor ganha consistência e os planos realidade.

  8. Alice

    Eu fico aqui me perguntando quantos casos de amor poligâmico tiveram sucesso na história, senão pelo subjugo de um só sobre os demais envolvidos na relação. E me questiono sobre os riscos de profundos anseios políticos liderados por anseios muito rasos – para não dizer egoístas – de liberdade, desprovidos do autoconhecimento e sinceridade necessários para lidarmos com as próprias potências e limitações, e com a responsabilidade que é viver um relacionamento de partilha, intimidade e amor com alguém.
    Esse conto do “amor livre” foi disseminado e vivido nas décadas de 60 e 70, e não vingou justamente porque os experimentadores confrontaram-se com o enorme dispêndio de energia que é doar-se inteiramente – principalmente no que condiz ao amor que envolve sexo – a mais de um indivíduo. E eu acredito que haja muitas formas de amor para serem exploradas – a amizade é uns dos tipos mais sublimes – mas nenhuma delas deve nos roubar a dignidade e a humildade para perceber que um sentimento que resulta numa casa e numa família – com dependentes, inclusive – só pode ser construído pelo tempo e pela profunda atenção, dedicação, adaptação a si mesmo e ao outro. O ponto crucial desta questão é até um clichezão brabo: a qualidade da vivência mútua, e não a quantidade, é o que realmente nos evolui em sabedoria, respeito e conhecimento humano.
    E por isso me soa muito preguiçoso, grosseiro e presunçoso o pensamento de que escolher uma só pessoa pra viver uma relação é subtrair-se do direito de viver muitas outras. Um único ser já é coisa demais pra descobrir.

    Em todo caso, parabéns à autora pelo texto e pelo levantamento do debate.

  9. Gustavo Nóbrega

    Eu sou a favor do Amor Livre sim.
    Tudo que nós pensamos que é o “certinho” muitas vezes não nos satisfaz. Às vezes não queremos admitir que estamos insatisfeitos com nossos relacionamentos que já duram muitos anos, porém na verdade estamos, e sempre vamos estar enquanto não abrirmos o jogo pra realidade do Amor Livre.
    Acho que tanto pro homem quanto pra mulher seria bom libertar-se dessas amarras. Não é bom pra ninguém ficar dependente psicologicamente de outra pessoa. Nem o homem nem a mulher deixam de ser gente boa se resolverem libertar-se dessas convenções. Mas, uma coisa é certa: embora o Amor Livre possa realizar a mulher e o homem muito mais do que o que é “certinho”, embora o Amor Livre possa tornar tanto a mulher como o homem muito mais realizados em todos os setores da vida (pois a monotonia impede que a gente alargue nossos horizontes, tanto emocionais como intelectuais), e embora o Amor Livre tenha todo o poder de reduzir a quase zero todo tipo de conflito que possa haver em relacionamentos como os que são aceitos (obrigatórios) hoje, simplesmente NINGUÉM VAI ACEITAR ISSO COM FACILIDADE, ALIÁS, É MAIS PROVÁVEL DIZER QUE NINGUÉM VAI ACEITAR ISSO NUNCA!!! INFELIZMENTE!!!
    É por isso que muitas vezes é em vão que lemos livros de auto-ajuda, é em vão que buscamos conforto religioso. Não importa aquilo que façamos pra racionalizar nossa insatisfação (isso que estou dizendo só vale pra quem está insatisfeito, tá!), pois a insatisfação nunca acaba se usarmos apenas de racionalizações. Como nossa mentalidade tem um fortíssimo vínculo com a sociedade, um vínculo extremamente difícil de romper e que nos é impingido desde antes de nascermos, às vezes nos pegamos pensando por que as coisas nunca dão certo pra nós, por que vivemos estressados e tristes. E isso vale pra ambos os gêneros sexuais.
    A verdade é que nos preocupamos muito mais com o que os outros vão pensar de nós do que com o que realmente NÓS pensamos de nós mesmos. Repito que isso vale tanto pra mulher quanto para o homem. Ambos estão totalmente atolados nessa mentira social que nos é empurrada goela abaixo antes mesmo de virmos ao mundo. Todo mundo sabe que ninguém é santo, e que todo mundo só pensa em si, e mesmo assim nos preocupamos com o que os outros pensam de nós. Que droga!
    Devíamos cair na real o quanto antes. O que vale pra nós é o que NÓS PENSAMOS E SENTIMOS. Quem tem que percorrer nossa estrada somos nós, e não os outros. Os outros só querem é nos controlar, e é por isso que tem tanta gente paranoica por aí. Não se iluda. Aqueles a quem você tanto acha que deve respeito muitas vezes esperam de você coisas que esse alguém não faria jamais se fosse pressionado. Todos nós temos nossa individualidade. Mas com essa estória de convenções sociais, propriedade privada, casamento, blá, blá, blá… a que chegamos? O planeta Terra é um planeta muito sério. Mas será que o planeta Terra é tão feliz como certas “mentes positivas” querem nos dizer?
    Acho que o Amor Livre é uma ótima saída pra vivermos uma vida integral, liberta, desamarrada, mais feliz. Talvez não seja garantia de felicidade, mas sem dúvida todos seriam mais satisfeitos, poderiam realizar mais suas potencialidades se não se sentissem presos a A ou a B. É claro que muitas precauções deveriam ser tomadas, todo nosso roteiro de vida teria que ser modificado. Mas será que não seria melhor tentar algo que não se conhece, já que o que se conhece não é lá essas coisas que a gente esperava? É bom pensar nisso. Tanto o homem quanto a mulher. E isso só deve valer pra quem está insatisfeito com seu modo de viver, com seu relacionamento e tudo o mais. Pros que estão satisfeitos, que continuem como estão, pois realmente é bom quando estamos satisfeitos e time que está ganhando não se deve mexer em nada.
    Mas pros que estão insatisfeitos, o Amor Livre sempre é opção. Lembrando que o Amor Livre pode ser seguido sim, a qualquer momento, em qualquer época. A rebordosa vai ser grande, pois todos vão estar contra você, todos vão te estigmatizar, te excomungar, te enxovalhar. Mas, quem é o senhor do seu destino? Você mesmo(a) ou os outros? Os livros de auto-ajuda não costumam dizer que somos os senhores de nossas decisões, somos os senhores de nossas ideias, que somente nós percorremos a trilha que nossa vida é? Então, por que não seguir isso, mesmo sabendo que a parada vai ser dura? O que vale mais pra você? Aquilo que papai e mamãe sempre disseram ou aquilo em que você REALMENTE acredita? Pense nisso. Mas tente pensar levando em conta que você foi “catequizado” antes mesmo de nascer, e que você não tem culpa dessa “catequese”, ora bolas!

  10. Isadora Gomes

    Isso é que é um pensameto crítico! Amei! E me senti muuuuito confortável em ver que a autora o fez com os pés no chão, pois eu, ao ler textos de conteúdos “libertários”, parecia que faltava algo… Percebi que faltava a conexão entre a ideia e a realidade. Foi o que a escritora fez, a conexão. ^^

  11. Mauricio

    Nossa!!!Muito Bom!!!!!!!!!!!E a frase no final fechou o texto com chave de ouro!!!!Parabéns, estou encantado……….Continue escrevendo,pois quero me encantar ainda mais ……
    Realmente o amor-livre um dia seja reconhecido pelo estado e este não possa mais incutir seus valores preconceituosos e sua não aceitação constitucional.Este dia vai chegar através da luta, portanto aqueles que tem um pensamento critico como você e eu (escritora) não podemos nos submeter a este tipo de sistema.O que importa é que sejamos livres para ser felizes nas relações que desejarmos sejam elas aceitáveis ou não pelos padrões sociais.
    AMOR LIVRE PARA TODOS COM IGUALDADE DE DIREITOS!

  12. Cher

    O amor livre não funciona para mulheres é uma grande balela, pois os encontros com pessoas diferente precisam se extremamente calculados e privados porque a sociedade continua nos julgando. Por mais que os parceiros sejam adeptos a “poligamia” são eles mesmos quem nos alertam para o “problema social” no nosso gênero feminino. Desse modo, pra mim isso de amor livre parece até uma boa ideia, mas é teoria! Não funciona de fato para mulheres, continuamos oprimidas e relegadas ao silêncio sobre nossas relações e ao âmbito privado. Enquanto os homens continuam em posição elevada por ter mais de um relacionamento.
    Bem, enquanto as mulheres continuarem oprimidas e punidas socialmente o amor livre estará fadado ao fracasso.

  13. Darlene R. Faria

    Gostei muito do texto. Meu tema de TCC é o poliamorismo e tenho descoberto ideias fantásticas sobre o assunto e discussões instigantes… E o seu texto em especial instiga a pensar, pensar e pensar e mostra que o tema vai muito além da liberdade de se relacionar…

  14. Luiz Fellipe Lisbôa Mattos

    Amor e liberdade são palavras com definições imprecisas. No contexto comumente usado, amor-livre é sinônimo de ou um contrato tácito ou expresso entre parceiros sexuais e/ou afetivos no qual seja acordada a poligamia, ao menos como possibilidade concreta e não censurável por nenhum dos pares ou então para definir uma relação sem contrato, onde os sentimentos fluam de acordo com as necessidades psíquicas de cada amante. A necessidade de se firmar contratos tem bases sociais bem como psicológicas individuais. Parte das bases psicológicas do indivíduo são construídas diretamente pela relação entre indivíduo e sociedade. Aos modelos de sociedade, portanto, correspondem modelos de relacionamento, mas as sociedades também são expressões das psicologias individuais. Há muitos exemplos de sociedades pré-industriais onde predomina a monogamia. Uma relação entre dois parceiros fixos não contraria a natureza, mas pode contrariar alguma idealização de liberdade.
    Eu encaro essa discussão como uma afirmação do valor da escolha, da transitoriedade dos sentimentos, de apanágios humanos com os quais todos nós temos contato, mas ao valorizarmos estas prerrogativas, desvalorizamos outros sentimentos humanos que não caracterizo como sentimentos negativos associados tão-somente à posse ou ao egoísmo, mas sim com necessidades e desejos reais de cumplicidade e de permanência. Seria um progresso avançarmos na construção de indivíduos mais capazes de decidir sobre seus futuros, de fazerem análises críticas sobre a sociedade e sobre si mesmos, sobre os seus próprios desejos, mas as conclusões às quais chegarão estes indivíduos não serão homogêneas e, possivelmente, não se configurarão como amor-livre, da maneira como é compreendido hoje.

  15. Pingback: amor livre, oferta e demanda | luna erre
  16. Pingback: Aprendiz de amor livre | Biscate Social ClubBiscate Social Club
  17. Cláudio Souza

    Olá. Bom dia. Eu não sou praticante do amor livre, ou poliamor, mas sou simpático à causa. Sou aluno da UNIFESP, debalde o fato de eu ter permanecido doente e afastado da faculdade por um ano inteiro. Gostaria de pedir a você que considerasse escrever obre este tema, com a periodicidade que lhe for possível, para eu poder publicar em meu site, que fica em http://soropositivo.website Sim, é um site de prevenção à AIDS e vc poderia acrescentar muito ao site e à sua causa, falando da relação responsável dentro do Universo do Poli amor, que, tanto quanto eu posso ver, deve ter o preservativo como uma espécia de “ponto crucial” dentro deste modo diferenciado e ainda incipiente do poli amor.

    Seja como for, agradeço sua atenção e desejo, não importando a decisão que você tome com relação à minha proposta, desejo-lhe boa jornada, pois você, com outros tantos, sofrerá algum tipode preconceito (infelizmente, pois eu sei o que é sentir-se vítima (sic) do preconteito). Como diria o Dr Spock, “Longa vida e prosperidade.
    []´s Cláudio Souza

    • Cláudio Souza

      Reli o texto, li os comentários e não vi a liberação do meu comentário ou uma resposta que fosse. Foi com muito pesar que vi que o discurso aqui é o que é… Discurso.

  18. Pingback: Por que é dificil praticar o amor livre | Sociedade Secreta Zvezda
  19. Xanda

    Não li todo texto ainda.. mas já no 1º parágrafo do desenvolvimento reparei que o uso do “x” é proposital. Achei muito artístico! Um gesto que leva a reflexão! parabéns “ax autorx” haha!

  20. casocomumdetransito

    Adorei o post. Me fez avançar em algumas reflexões sobre o momento da minha vida. Já me relacionei de várias formas. A mais duradoura foi um namoro monogâmico.
    Foi minha primeira relação afetiva mais intensa e duradoura, minha companheira era mais experiente e mais velha. Eu trouxe da família uma péssima referencia de relacionamento. Não preciso nem dizer que o lado prejudicado era o da minha mãe. Por isso na época eu já não era muito fã do patriarcado, pelo menos em teoria. Nunca agi no sentido de influenciar na carreira ou nas amizades e na vida pessoal da minha namorada.
    No entanto esse foi um relacionamento marcado por traições. Na minha cabeça eu estava apenas sendo livre, e a culpava por ser um ciumenta possessiva. Eu tentava legitimar a imagem de que eu era o homem de humanas, barbudinho, de esquerda e versado nas artes dos gender studies, ela uma careta ciumenta. Isso foi uma coisa que fez muito mal para ela e de contribuiu para que a relação acabasse.
    Depois de muitos anos sem me envolver com mais ninguém de forma séria, a questão da forma do relacionamento sempre me inquietou. Acredito que não haja nenhuma forma que seja, em si mesmo, libertadora. E digo porque.
    Hoje construo uma relação aberta e bem mais dialogada do que costumava ter. Por não querer repetir os erros do ultimo relacionamento. No entanto, nossas fragilidades psicológicas são um fator determinante. Em momentos dífíceis sempre ficamos tentados a “tirar” um pouco mais da relação. Ou ganhar algum terreno. Se sinto ciume, porque não retirar um pouco do espaço da outra pessoa?
    Quando o Pablo diz que amor não é construção social, eu só posso discordar. E discordo com base na análise das relações em geral e mesmo da minha experiência. É uma construção social coercitiva que se impõe e se manifesta na gente independente da nossa vontade.
    Não quero me ater nos exemplos que são muitos. As cobranças dos nosso circulos, a cara de estranhamento que os homens sofrem em público caso digam que não tem controle absoluto sobre a vida sexual da companheira.
    E isso tudo, família, amigos, futebol etc. influencia e muito na nossa maneira de pensar agir e desejar.
    Bem, algumas pessoas podem dizer que eu não deveria me preocupar com os outros. A questão é que eu me preocupo e quero mudar essa realidade a partir da minha condição. Além disso, se isolar da sociedade é impossível.

    Por isso essa questão deve ser tratada também no âmbito político, do coletivo e do ideológico. Não será uma série de principios bem aceitos pelos casais que vai nos proporcionar relações mais igualitárias.

    Muita vezes eu me pergunto se é possivel uma relação “justa”, onde todas as partes estejam felizes com o que oferecem e com o que recebem.
    Por mais que nós homens nos esforcemos para entender nossa condição de privilegiados, para isso dependemos que as mulheres sejam capazes de se colocar e expressar o que sentem. Se isso é difícil até mesmo para as feministas, imaginem para o conjunto das mulheres, na dinâmica louca da vida, onde as relações afetivas, economicas e sociais se sobrepõe. Nós homens temos no geral a faca e o queijo na mão, e só cortamos o queijo de maneira justa por pelo empoderamento da mulher. O que vejo nas discussões sobre isso, muitas vezes, é a crença de que isso vai acontecer por “boa vontade” dos parceiros.

    Essa situação me angustia muito, porque a relação que eu desejo não é uma coisa assim fácil de se estabelecer na realidade atual. Tenho que me problematizar constantemente sobre minha condição e reconhecer meus hábitos e idéias contaminados até o osso com patriarcado e machismo. É muito importante para mim encontrar textos como esses em que eu possa reconhecer meus defeitos e que me fornecem elementos para compreender algumas questões que possam surgir nas relações.

    Me angustia porque boa vontade é uma condição essencial, mas não podemos depositar nela as nossas esperanças. Afinal, como diz o ditado: de boas intenções o inferno está cheio.

  21. Pingback: Sense8: algumas observações (negativas) sobre sexualidade na série. | Nyanko-sensei
  22. Pingback: Amor Livre… De respeito | As Cores do Brasil

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s